Deixem a vossa marquinha *.*

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Parte II - Capítulo 1 - Regresso a África

As minhas mãos tremiam e o tremor percorreu o resto do meu corpo. De entre entre lágrimas e soluços, tentava acalmar-me e tentar arranjar uma solução para aquilo que me aconteceu e para o que estava a acontecer. Respirei fundo e deitei-me na minha rede. Olhei para o céu, estava escuro e assutador. Um nevoeiro cercou o meu navio e pedi que lançassem a âncora, para que parássemos por ali. O nevoeiro deixou-me ainda mais perdida no mundo, como se estivesse no meio do oceano, gritando para me tirarem dali, mas tudo era escusado.
Passou um mês depois de Jack me ter abandonado e desde aí que tentei seguir em frente. Tentei, e afirmei bem. Porque as coisas levam o seu tempo, mas tinha algo que me ligaria para sempre a ele.
Era meio da noite, o nevoeiro começara a disperçar-se, mas a minha angústia manteve-se aqui e não desvaneceu. Cada vez mais se acentuava, o que me levou a quase um desespero. Saí do meu camarote a correr e a chorar e invadi o camarote do Sr. Thomas.
- Sr. Thomas! - gritei eu por entre soluços.
- Jane, o que é que se passa? - perguntou-me saltando da sua rede exaltado.
- Temos de regressar a África imediatamente. - afirmei eu tentando controlar os soluços.
O Sr. Thomas aproximou-se de mim, trazendo uma vela. Apercebeu-se que eu estava desfeita em lágrimas, ainda mais do que nos dias que antecederam. - Jane, conta-me o que se passa. - pediu-me calmamente.
- Estou grávida Sr. Thomas! - respondi-lhe directamente.
- O quê? - perguntou-me.
- Por favor Sr. Thomas, eu não quero ficar mais aqui, eu quero voltar para casa... - não consegui terminar. Dei por mim agarrada àquele que agora chamava de "pai". E era de facto, sem dúvida alguma um pai para mim. Um pai não julga uma filha pelos erros que comete, simplesmente ajuda-a a enfrentar o futuro. E foi isso que ele fez. Nessa noite consegui adormecer nos braços do Sr. Thomas.
Dormi horas e horas, já não me recordava da última vez que dormira tanto tempo e tão bem. Levantei-me, lavei a minha cara e saí do camarote do Sr. Thomas. O navio tinha mudado de rumo. Senti-o pela direcção do vento. Estávamos a navegar rumo a África. Estaria de volta a casa, ao meu lar. Nenhum membro da tripulação questionou à minha frente o porquê de termos mudado de rumo, ou qual era o plano. Porque não havia plano. Aprendi a não fazer planos e a tentar viver com o agora e não com o depois ou com o antes. Agora era responsável por duas vidas. Começava a aceitar a idéia de ser mãe. O que mais me magoava era saber que Jack não voltaria, e nunca saberia que teríamos uma criança. Desejei durante muitas noites que o tempo voltasse atrás e que eu tivesse tentado impedir Jack de se ir embora. Nunca mais ouvi nada sobre ele, não sabia se estava vivo ou morto. Imaginei-o muitas vezes com o seu próprio navio a navegar pelos sete mares, a ser perseguido pela marinha real. Jack tinha esse tipo de desejo nas veias. Desejava sentir o medo e a adrenalina, tal como eu.
Sentei-me nas escadas do Destiny. O Sr. Thomas desceu-as e seguidamente sentou-se ao meu lado.
- Como te sentes? - perguntou-me.
- Muito melhor! - respondi-lhe.
- Já dei a ordem aos homens. - informou-me. Eu assenti com a cabeça. - Já pensaste que nada a partir de agora vai ser igual Jane? - questionou-me. - Quando ancorarmos em África, muitos destes homens vão voltar para as suas casas, outros desejaram começar do início, e sei que também há uns que quererão ficar ao teu lado.
A última frase fez-me sorrir. - Refere-se ao Lyeel? - perguntei-lhe.
- Gosto dele Jane. - confessou. - É um bom homem e sei que independentemente de tudo, ele ficará ao teu lado Jane. - Pelo discurso do Sr. Thomas pareceu-me que ele o comparava a Jack. Lyeel nunca me abandonara, ao contrário de Jack, mas a comparação magoou-me. Se o meu coração tivesse oportunidade de escolha, eu escolhia Lyeel. Era uma das pessoas mais extraordinárias que eu já tivera oportunidade de conhecer.
- Eu vou para o leme Sr. Thomas. - informei-o. - Quero guiar o meu navio até casa! - Levantei-me e subi as escadas e aproximei-me do leme. Lyeel, como sempre estava ali e sorriu ao ver-me ali.
- Bons olhos te vejam Jane! - cumprimentou-me.
- Obrigada Lyeel. - respondi gentilmente.
- Este navio não é a mesma coisa sem a tua energia, a tua força de viver...
- Lyeel... - interrompi-o. - O Destiny vai voltar para casa, tal como eu. - respondi-lhe. - Tudo o que vivi aqui nele, vai para sempre ficar guardado na minha memória. - disse-lhe, notando a sua tristeza no olhar. - Mas está na altura de eu voltar para casa.
- Então é o fim Jane? - perguntou-me.
- Não. - respondi-lhe. - É o começo do fim! - Lyeel conduziu-me até ao leme e navegámos em direcção a casa.

2 comentários:

  1. Mariana, devias ter escrito outra coisa, por exemplo uma das tuas histórias antigas, sei lá. Isto é a minha opinião. Está girito xD

    ResponderEliminar