Deixem a vossa marquinha *.*

sexta-feira, 18 de março de 2011

Capítulo 15 - Coração de Ouro

A vida dá voltas e voltas. Quando pensamos que uma memória poderia estar morta e enterrada, num fechar de olhos ela revela-se. Durante meses sofri com a perda do meu pai. O que para mim fora passado, agora era umas partículas de pó no presente que ganhavam força para formar uma poeirada capaz de assolar a minha vida. A minha tristeza com as atitudes de Jack acentuava a cada minuto naquele salão. Esforçava-me para entender porque é que ele não foi capaz de mencionar o assunto directamente comigo. Ele sempre soube que o assunto do meu pai me era doloroso, mas omitir-me algo que ele sabia, isso sim era demais.
- Partiremos para a viagem daqui a três dias! - informou o capitão Charles. - Tenente Jack, é favor de acolher a Jane e os seus "familiares" nas suas propriedades até partirmos para alto-mar.
- Sim capitão. - respondeu Jack. Este aproximou-se de mim e colocou a sua mão no meu braço. - Vamos para casa Jane.
- Não me toques! - exclamei ressentida, retirando forçadamente o meu braço debaixo da sua mão.
- Jane eu preciso de te explicar tanta coisa... - disse.
- Agora queres explicar? - perguntei-lhe incrédula. - Jack tu omitiste a verdade sobre o meu pai durante estes dias, e só agora é que me queres explicar?
- Não podemos falar aqui. - afirmou. - Falaremos em minha casa. Jack avançou e eu fiquei para trás. Permaneci na companhia do Sr. Thomas. Também ele estava ressentido com tudo o que estava a acontecer, não tivesse sido ele outrora o melhor amigo do meu pai. Mas porque é que nunca ele tinha falado neste lado da sua vida? Nunca tivera segredos do seu trabalho para o Sr. Thomas. A sua única omissão comigo fora a identidade de Black Diamond.
Jack acompanhou Robin até ao exterior. Este gostava da sua companhia e começava logo a conversar, como se o conhecesse à anos. Por um lado, o meu sexto sentido alertava-me de que esta união poderia causar problemas a Robin, quando este soubesse a verdade. Mas por outro, existia um sentimento tão forte e tão bonito em ambos os olhares.

De volta à rua, entrámos na carruagem que nos transportou até à casa de Jack. Na verdade, tratava-se da mansão do pai de Sesha. Por falar em Sesha, lá estava ela junto do seu pai, mostrando a sua veia mimada de menina rica sem preocupações que nunca teve de lutar pela sua sobrevivência.
- Paizinho, estes são os familiares de Jack. - informou.
- Vejo bem...
O olhar do senhor veio até mim. Tratou-se de um olhar meigo e acolhedor.
- Deveis ser a Jane! - supôs.
- Sim, sou eu! - respondi surpresa por saber o meu nome.
- Tens os olhos do teu pai! - exclamou. Interpretei como um elogio carinhoso, o suficiente para me deixar um pouco mais sorridente.
- O paizinho conheceu o pai dela? - perguntou Sesha num tom aguçado de ciúmes.
- Sim Sesha, eu tive o privilégio de conhecer o Robert!
- Sabeis, então, o motivo pelo qual eu estou aqui! - afirmei.
- Porque não entramos? - sugeriu.
Entrámos na massão. A mesma era enorme. Os corredores estavam decorados com armas e armaduras antigas. Fez-me recordar a minha. O meu pai valorizava bastante as antiguidades. À nossa espera estava uma mesa servida de chá e de doces. Num impulso Robin dirigiu-se à mesa e comeu os doces.
O pai de Sesha convidou-me a sentar num dos cadeirões existentes do salão. Eu mal estava habituada ao conforto de uma casa.
- A herança que o seu pai deixou em vão é muito importante para a coroa. - comelou por dizer. - Esse tesouro poderá trazer grandes benefícios para a ilha, daí querermos o que é nosso de volta. - fez uma pausa e bebeu um pouco de chá. - Suspeitamos que os mapas poderão estar numa propriedade que alegadamente é sua, e como deve calcular só poderá ser "invadida" com o cossentimento da proprietária! Dado a sua experiência em alto-mar ser-nos-à muito útil. - as suas últimas palavras destruiram a pouca impressão boa que tinha de si. Ele sabia da vida que eu tinha levado nos últimos anos, e de certa forma iria certamente jogar com isso.
- E o tesouro em si? - perguntei.
- Não se trata de jóias Jane, é algo muito mais valioso! - exclamou. - O Coração de Ouro é muito mais valioso que míseras jóias que pagam impostos.
Esse nome não me era de todo estranho. Havia algo que me fazia recordar dele, mas não estava a lembrar-me do que era...

6 comentários:

  1. Oh, obrigada. :') Também gostei imenso do teu cantinho! Sabias que tens imenso jeito para escrever?

    Um beijinho enorme. *

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  2. De nada, é apenas a verdade, acredita. :) Um grande beijinho *

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  3. obrigada mariana! oh e olha que a tua história tá a ficar muito bem :*

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  4. Obrigada pelos vossos comentários! :D

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