Deixem a vossa marquinha *.*

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Capítulo 19 - «Um dia vais entender que há mais na vida...»


Jack deu-me a garrafa de rum e eu agarrei nela sem pensar, sentando-me na areia a beber. Olhava para o oceano e cada vez me dava mais vontade de beber e esquecer que estava perdida numa ilha com Jack. Este sentou-se ao meu lado.
- Espero que tenhas a noção que daqui a uns minutos estás fora do teu estado normal... - disse-me Jack.
- Não precisas de mo dizer Jack. - respondi-lhe. - Eu sei, como é que vou ficar!
- Vou tentar não ser mau e não me aproveitar de ti... - disse-me com a sua costume ironia.
- Jack, Jack, estás a violar a nona regra do código dos piratas... - afirmei eu.
- E que regra é essa? - perguntou-me.
- Segundo o nosso código, se te intrometeres com uma mulher sem o seu consentimento, sofres morte certa. - expliquei-lhe eu.
- Hum, mas quero recordar-te de que não estamos a bordo do navio, o que automáticamente invalida essa regra. - respondeu-me aproximando-se de mim.
- O que significa que poderei enfiar-te uma bala entre esses olhos castanhos, sem regras que me impessam de o fazer! - exclamei eu sorrindo para Jack. Este deitou-se no areal descontraidamente. Por ele, ficávamos os dois sozinhos neste fim do mundo, sem nunca olhar para trás. Eu podia sempre enganá-lo e deixá-lo sozinho na ilha. mas eu precisava dele. Não me esquecera do meu objectivo de encontrar Black Diamond.
- Jane... - chamou-me. - Já que vamos ficar aqui na ilha por tempo desconhecido, podíamos conhecer-nos melhor.
- Nós não vamos ficar aqui muito tempo Jack. - assenti eu. - Contigo ou sem ti, eu vou sair daqui!
- E eras capaz de me deixar aqui sozinho, neste fim do mundo? - perguntou-me.
- Morto, se preferires! - exclamei eu levantando-me.
- Apenas descontrai Jane! - pediu-me Jack agarrando-me. - Porque é que não aproveitas a vida?
- Jack, eu não sei o que é viver... - confessei-lhe. Vários pensamentos invadiram a minha mente. Notei que Jack prestava mais atenção. - Desde que eu perdi o meu pai, eu não sei o que é isso de aproveitar a vida...
- Jane... - disse-me Jack pegando-me na mão. - Não acho que seja justo ficares tão presa à figura do teu pai para sempre.
- Ele continua vivo, dentro de mim. - respondi-lhe. - Eu sei que ele está aqui, comigo Jack. - fiz uma pausa para suster as lágrimas. - Nada era mais importante do que ele na minha vida. Mas eu tenho a noção de que tenho que conseguir seguir em frente sem ele.
Jack aproximou-se cada vez mais de mim, abraçando-me. - Os meus pais também morreram. - começou Jack por dizer. - Não conheci a minha mãe, e mal conheci o meu pai. Fiquei sozinho muito novo, e acabei por me adaptar à vida na rua.
- Lamento. - disse-lhe.
- Jane, tu tiveste um pai que te viu crescer, que te fazia sorrir, e eu só tive o meu durante cinco anos. - desabafou Jack.
- Como é que sobreviveste? - perguntei-lhe.
- Sobrevivendo Jane. - respondeu-me com um sorriso falso. - Fui acolhido por uma família, mas aos onze anos acabei por sair dali. Senti que não pertencia ali. Queria aventuras, confusões, coisas que me fizessem crescer. Agora, com esta vida, sinto que posso ter isso tudo. - Jack retirou-me a garrafa da mão. - Jane, um dia vais entender que há mais na vida do que ficarmos presos a alguém que já partiu.
- E como é que eu sei isso? - perguntei-lhe.
- Saberás um dia. - respondeu-me.
Jack estava a poucos centímetros de mim. Olhei-o nos olhos. Estavam castanhos escuros, por causa da luz da fogueira. Acariciei o seu cabelo comprido e despenteado.Jack aproximou o seu rosto do meu. Beijou-me de seguida e eu correspondi. Eu sabia que não estava no meu estado normal - tinha uma quantidade enorme de álcool no sangue -, mas mesmo se tivesse iria estar na posição em que estava com Jack. Deitámo-nos na areia e assim ficámos até as chamas da fogueira se transformarem em cinzas...

3 comentários:

  1. Obrigada caras leitoras:)
    estou a ver que este capítulo vos comoveu*.*
    Continuem a acompanhar:D
    Estrela da noite*

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