Robin estava exaltado ao ver tanta confusão ao seu redor. Era a primeira vez que pisariamos terra desde que embarcámos. Aproximei-me do meu filho e coloquei a minha mão no seu ombro.

- Robin, estás pronto para ir? - perguntei-lhe.
- Sim Jane. - respondeu-me.
Beijei-o na face e de seguida abracei-o. Ajeitei-lhe o colete e o chapéu. Dei-lhe a mão e dirigimo-nos para junto de Lyeel, Sr. Thomas e Marcus.
- Menina Deverport? - chamou-me o capitão Charles.
Disse a Robin para ficar ali e aproximei-me do capitão.
- Admiro a sua capacidade de liderança Jane! - exclamou o capitão Charles. Não se tratava de um elogio, mas sim de palavras com outro sentido.
- O que é que tenciona com isto? - perguntei-lhe.
- Herdou essa perspicácia toda do seu pai! - afirmou.
- Eu já lhe pedi para não mencionar o meu pai! - exigi.
- Nós os dois menina Deverport poderíamos governar este e o outro mundo! - exclamou.
- Eu tenho o meu navio, a minha tripulação e a minha vida! - respondi-lhe. - Não tenciono abdicar disso por uma vida ao seu lado! - a sua expressão não era de ódio, mas feições não eram as mais simpáticas. - Não pense que pode fazer chantagem comigo! - disse-lhe virando-lhe as costas. Notei que Lyeel nos tivera a observar de longe. O Sr. Thomas, Robin e Marcus já estavam no bote e antes de eu descer as escadas Lyeel puxou o meu braço.
- Está tudo bem Jane? - perguntou-me.
- Sim, está. - menti. - Obrigada Lyeel.
- Jane?
- Eu só quero que isto acabe Lyeel! - exclamei, passando para fora do navio para descer as escadas. Lyeel veio a seguir. Sentei-me na estaca de madeira e esperei que chegássemos até terra. Coloquei a mão novamente no bolso para sentir a faca. Com ela sentia-me mais protegida, e se fosse preciso derramar sangue para me proteger, fa-lo-ia. O nosso bote avançou primeiro, olhei para trás e Jack com o resto da tripulação vinham noutro bote. Virei-me para a frente e observei a ilha. Não havia sinal de habitação, era de certo uma ilha desabitada. Não havia fumo de pudesse evidenciar uma fogueira. Para nosso bem era bom que assim fosse.
Quando o bote embateu na areia, saltei cá para fora e sorri por pisar novamente solo firme. Descalcei as minhas botas para sentir a areia molhada nos meus pés. Coloquei as botas no bote e andei. O sol já se tinha posto e o luar começou a espreitar. Eu peguei no pau de madeira incendiado para poder iluminar o cenário à minha volta. Ordenei aos meus homens que se espalhassem pela ilha, tendo indicado a Robin que não se afastasse de Thomas. O bote de Jack aportou de seguida. Ele saiu e veio na minha direcção. Vinha com um sorriso atrevido, por isso daquela boca não ia sair coisa boa.
- Nunca pensei em voltar a uma ilha destas comtigo! - exclamou.
Sorri com o seu comentário. - Desta vez não naufragámos e estamos acompanhados! - acrescentei.
- Olha o que deu termo-nos embebedado da última vez! - exclamou e ambos olhámos para Robin.
Meditei sobre tudo o que já tinha acontecido desde aquela noite até hoje. Em momento algum, após o nascimento de Robin me arrependi de ter dormido com Jack.
- Por ele valeu a pena. - disse suspirando.
- Sabíamos o que estávamos a fazer, apesar do efeito da bebida? - perguntou Jack.
A sua questão fez-me sorrir. - Não culpes a bebida Jack Nilton! - exclamei. Jack respondeu ao meu sorriso e piscou-me o olho. Juntamo-nos aos restantes tripulantes que recolhiam os mantimentos. Lyeel transportou uma enorme caixa de mantimentos e colocou-a dentro do bote. Eu, Jack e outros marinheiros fomos tentar procurar água. A ilha era silenciosa, e como era de noite os barulhos da Natureza estavam adormecidos. Iluminei o caminho em frente e deparei-me com um ribeiro. Jack abaixou-se, colocou um dos dedos dentro de água e depois levou-o à boca.
- Sim, é potável. - confirmou Jack, dando indicações aos homens para abastecerem os barris. Enquanto isso, Jack pediu-me que o acompanhasse até um pouco longe dos homens. Parámos e Jack segurou no pau de madeira que nos iluminava. - Isto deve estar pesado. - disse.
- Portanto, só agora é que te lembras de ser cavalheiro e de pegares nisso! - reclamei.
- Tu gostas de guiar a expedição, e por isso deixei-te com isso! - respondeu.
- Porque me trouxeste até aqui? - perguntei-lhe.
- Para poder fazer isto. - respondeu-me beijando-me. Nesse momento foi como um fogo nos iluminasse. Entrei numa máquina do tempo e recuei ao dia em que o vi peloa primeira vez e depois ao dia em que nos beijámos pela primeira vez. Porque tudo volta ao início. Tantos dias que eu esperei poder sentir os seus lábios junto dos meus. Jack com a sua mão disponível desprendeu-me o cabelo e aconchegou-me até ele. - Estamos nisto juntos tu e eu Jane!
[Peço desculpa a todos os meus seguidores pela demora, mas devido a tarefas escolares não consegui actualizar mais cedo]